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Assim é a vida (II)

- Redator?
- Fala atendimento
- Seguinte. Tava vendo seu texto para Illudator Corp e vi que você escreveu “online” ao invés de “on line”.
- Pô atendimento. No manual de estilo que veio lá do Missouri tá expresso que se deve usar “online”.
- Redator, eu fiz um curso de especialização em Business Advanced Holy Fucking Shit Atendator com o Hubert Esbrignight em Berkeley e ele foi enfático ao escrever “on line”.
- Tá, poderia até ser o Djizus Cristim, mas no manual dos gringos diz “online”.
- Escreve “on line”. Eu os convenço.
- Então tá então.

Duas horas depois

De: Marketing Illudator Corp
Para: Atendimento
C/C: Redator
Assunto: Textos

Caro Atendimento,

Vimos que seu redator insiste em escrever “on line” ao invés de “online” como versa nosso manual. Por acaso ele não teve acesso? Não toleramos desvios de grafia em nosso material, por isso exigimos a rápida correção deste erro imperdoável.

Att,

Marketing Illudator Corp

Dez segundos depois

De: Atendimento
Para: Marketing Illudator Corp
C/C: Redator
Assunto: RE: Textos

Olá Marketing Illudator Corp,

Me desculpe o transtorno causado. Não sei onde nosso redator, que nos lê em cópia, estava com a cabeça. Ele tem acesso irrestrito ao manual e acredito que esta irresponsabilidade foi fruto de uma imperdoável desatenção. Já estou tomando as devidas providências para que tal descuido não volte a se repetir.

Obrigado e desculpe-nos

Atendimento

Assim é a vida (I)

- Redator?
- Sim, atendimento?
- Seguinte. O texto que você escreveu até que está bom, mas precisa explicar o que é GRST
- Mas…
- Não quero saber, tem de explicar!
- Pô, mas toda a comunicação da empresa diz que o GRST não precisa ser explicado, grife, estilo, quem está interessado sabe o que é. É o famoso jeito da marca!
- Não. Tem de explicar. Eu quero que explique.

Duas horas depois

- Redator?
- Sim, atendimento?
- Por que, diabos, você explicou o que é GRST no seu texto?
- Ué, porque você pediu.
- Não, não pedi. Nunca pediria isso, você sabe que isto não precisa ser explicado, é nossa grife.
- Mas…
- Não tem mas. Tire isso imediatamente. Você tinha feito um outro, não? Use aquele, pô.
- …

Clique aqui e…

É engraçado essa vida de ‘copiruaiter’. Pitacos de todos os lados e, se não bastasse isso, lá vou eu xeretar em blogs, artigos pra fazer o famoso ’sempre dá pra melhorar, né?’.

Pois eis que encontro um artigo que mostra, por dados, a comparação de eficiência entre o famoso clique aqui e ’saiba mais’, ‘descubra mais’ e o ‘continue lendo’.

Eu particularmente adoro este tipo de pesquisa, com dados para ilustrá-la e tentar esfregar na sua cara uma evidência que, sinceramente, nem que as fez tem certeza. O grande campeão de eficiência, obviamente, foi o ‘continue lendo’. Ok, senhor pesquisador, quer dizer que seu eu fizer um post sobre xoxota e colocar um continue lendo, tenho chances bem altas do usuário clicar. Agora, se eu fizer um post – ou um banner – sobre as delícias do sabor do chiclete Ploc, a chance diminui. ‘Nussa’, pesquisarem isso?

É como um antigo cliente que queria fazer varejo, mas queria um pouco de brand também e não queria nunca exibir preço da mercadoria. Então, por que diabos, eu gostaria de saber que o tal barbeador elétrico é bom, prático, tem 600 cabeças e tal se eu já sei que ele custa uns 500 paus. Mas se no banner tivesse uma grande oferta de, digamos, 300 reais, talvez eu clicasse. Talvez comprasse.

Ai está o ponto que a pesquisa despreza, ou melhor, compara com erros coisas distintas ou que, no fundo, no fundo, não fazem a menor diferença. It’s all about content.

A tradição de conteúdo no Brasil é bem tímida, pra não ser direto e dizer que é fraca. Faz anos que a publicidade não traz uma coisa realmente boa ou marcante (pensando rapidamente, só me vem o “Experimenta”, da Nova Schin). Ou seja, cururus, você pode sim finalizar com um saiba mais, descubra mais ou continue lendo. Mas, é evidente que, se você não tiver nada de útil a dizer, é melhor criar um robozinho que clique no seu link – assim você entrega os resultados. Se você sabe o que quer fazer e como fazer, dificilmente vai estragar tudo. Não há texto bom que salve algo vazio.